terça-feira, 14 de abril de 2009

As pessoas não sabem escrever um Report

por Ricardo "Thorgrim" Mattana

Segundo o Aurélio, reportar significa relatar; contar; noticiar. E um Report no Magic é exatamente isso – relatar uma conquista ou resultado no jogo que você se orgulha. Contar para todos qual foi a grande história de sua conquista e quão duro você trabalhou (ou não) para atingir tal resultado.

Como estamos atualmente na época dos Classificatórios, muitas pessoas costumam se animar para escrever esses Reports. Seja sobre sua volta triunfal no jogo, sobre como você se classificou pela primeira vez ao Nacional ou como faltou tão pouco para conquistar o objetivo almeijado.

Diferente de artigos teóricos, Reports costumam ser textos mais leves, de fácil leitura, onde mesmo quem não está muito por dentro do ambiente consegue ler. Porém, como na maioria das vezes os Reports são textos longos, as pessoas poderiam deixar o famoso “internetês” de lado e caprichar um pouco mais no português, relembrando como foi importante prestar atenção naquela aula de redação super divertida da professora Rosinha.

Resolvi escrever esse texto, após perceber que muitas pessoas não sabem escrever um Report. Além do péssimo português, os relatos costumam ser muito pobres e o texto acaba se transformando em apenas um tópico a procura de bajulações e congratulações.

Mais importante do que uma redação nota 10, um Report precisa ser um texto com conteúdo. Ninguém pára para ler um Report para descobrir quantas vezes os seus oponentes muligaram ou como você ganhou facilmente tal game por abrir aquela mão perfeita. Por mais que tais situações aconteçam, o legal de um Report é poder ler qual era o plano de jogo da pessoa para cada partida, que cartas entravam e que cartas saíam, alguma jogada em especial que aconteceu, relatos sobre as histórias entre as rodadas e por aí vai.

Pensando nisto tudo, resolvi listar algumas informações que acredito serem importantíssimas para que tenhamos um Report rico, repleto de conteúdo, valorizando ainda mais a sua grande conquista.

1- Escolha do deck

Um Report nunca estará completo, se você não explicar qual a razão para ter jogado com tal deck. Não importa se você o escolheu por que teu amigo disse que ele era a boa, por que foi o primeiro que você achou no seu armário, ou se os treinos fizeram com que você pensasse que ele era a melhor opção para o evento. Procure sempre relatar o porquê de tal escolha.

Caso você opte por revelar sua lista, será muito importante explicar algumas particularidades que ela possui. Cartas óbvias, como 4 Bitterblossom e 4 Cryptic Command em um UB Faeries, não precisam ser explicadas, já aquela tech do Sideboard ou alguma mudança radical das listas básicas que encontramos na internet, vale a pena mencionar.

Um ponto importante é contar como a sua lista evoluiu até chegar na lista escolhida para o Classificatório. É nesta hora que entram os treinos, histórias de outros campeonatos que você jogou anteriormente com o deck ou até aquele conselho amigo que você resolveu aceitar de última hora. Para quem pretende recomendar o deck para outros jogadores, vale a pena mencionar se você acredita que seja necessário alguma mudança na lista, dependendo de algum ambiente específico ou por que alguma carta que você imaginava que fosse muito boa em tal partida, não se mostrou tão boa assim.

2- Histórias além do evento

Uma das partes que eu mais gosto nos Reports é ler sobre as histórias que acontecem antes, durante e depois do campeonato. Contar como foi o final de semana do evento, se você estava ansioso, se rolou algum perrengue para chegar ao local, se você estava usando a cueca da sorte, se tua namorada só liga nas rodadas que você perde e todas aquelas outras histórias que nós sabemos que acontecem.

Sei que muitos preferem pular essa parte e ir direto para o trecho que conta sobre as rodadas, mas em minha opinião são essas histórias que deixam o texto mais leve, descontraído e agradável de ler.

Outra coisa que muitos se esquecem de mencionar é sobre o local e a organização do evento. Caso você tenha só elogios a fazer, o modelo de organização acaba servindo de exemplo para outros organizadores, mas caso seja necessário fazer críticas, pelo menos você estará contribuindo para que surjam campeonatos mais organizados no futuro.

3 – Plano de jogo e side in/side out

Para quem está interessado na parte estratégica do jogo e no relato sobre as rodadas, essa é a parte mais importante do Report e que poucos jogadores exploram.

Muitos preferem descontar uma derrota em um game por causa do próprio azar ou sorte excessiva do adversário. Enquanto o interessante seria relatar se alguma decisão que você fez durante a partida foi equivocada, se você ficou com uma mão, que deveria ter muligado ou se alguma tech do oponente acabou te surpreendendo.

Mesmo você tendo vencido, é sempre legal ter a humildade de assumir que errou em algumas horas, mas que no momento crucial do evento você aparentou estar mais bem preparado. Contar quais são os seus bad e good matchups e o porquê de você achar isso é interessante.

Algo que poucos fazem, mas que acredito ser muito válido é um pequeno parágrafo contando como é sua postura e qual plano de jogo que você imagina ser o certo contra o deck que você enfrentou em cada rodada. Por mais que seu oponente tenha zicado em ambos os jogos e você tenha ganhado facilmente, vale a pena dizer como você estava preparado mesmo se o jogo tivesse fluido normalmente.

O side in/side out ajuda a mostrar como era sua visão em cada partida e que cartas você acreditava serem ruins ou melhores para tal situação. Como muitas pessoas pecam nessa hora e tiram cartas totalmente equivocadas, é legal contar como você estava por dentro do ambiente e como tua decisão foi a melhor possível naquele momento.

Sei que não são todos que amam escrever e que é muito difícil lembrar-se de todos os jogos detalhadamente, mas se você já está gastando seu tempo escrevendo o Report, vale à pena dar uma caprichada para que seu relato fique o mais completo possível.

4- Agradecimentos

Já que conquistar um torneio deste porte normalmente é motivo de muito orgulho para o vencedor, não custa nada aproveitar o espaço para agradecer todas as pessoas que te apoiaram e tornaram tal conquista possível.

Pode ser sua mãe, que liberou dinheiro para você comprar as cartas para o seu deck, a namorada que deixou você largar ela para jogar o campeonato, os companheiros de treino, o motorista do taxi que não errou o caminho. Não importa quem seja a pessoa homenageada, basta você saber reconhecer que ela foi importante e que um resultado deste porte não se conquista sozinho.


Sei que o intuito principal de um Report é contar para todos que você se sagrou campeão e que é o cara mais feliz do mundo. Mas para que o texto não se torne um tópico onde todo mundo só entra para dar parabéns, vale a pena pegar mais uma hora do seu dia e caprichar o máximo possível.

Salvo alguns jogadores que acabam ganhando sem treinar uma única vez com o deck, é muito legal você deixar registrado tudo que foi preciso para alcançar essa conquista para até futuramente se você precisar de alguma fonte de motivação, basta ler teu texto novamente e se animar.

Por último vou deixar o link de um Report do bertu, contando sobre seu título brasileiro, que em minha opinião é o melhor Report que eu já li nestes anos de Magic e o link de um Report meu, contando como foi ganhar o Classificatório pela primeira vez.

Espero que o texto tenha animado jogadores a capricharem em seus Reports e que em breve eu esteja escrevendo o meu, contando como foi bom ganhar um Classificatório novamente.

Até a próxima!

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Fadas no Extended

por Paulo "tte" Cortez

Olá pessoal!

Desculpem a falta de texto da minha parte, esse mês foi bem complicado, com um PTQ atrás do outro ficou difícil sobrar tempo para escrever alguma coisa útil. Então, mesmo fora de temporada, vou escrever sobe o deck que eu joguei toda a temporada extended e que acredito ser o melhor deck do ambiente.

Vou começar pelo primeiro, o PTQ da Devir. Sinceramente, não era um PTQ que eu estava muito esperançoso. Havia treinado menos que o normal, não tinha confiança no deck e quando a lista do Saito saiu um dia antes me deixou mais preocupado ainda. Eu estava decidido a jogar de fadas por ser um deck que teoricamente não tem matches impossíveis, eis a lista:

Ugw Faeries

4- Flooded Strand
4- Polluted Delta
4- Mutavault
3- Riptide Laboratory
2- Breeding Pool
1- Hallowed Fountain
1- Temple Garden
7- Island

4- Spellstutter Sprite
4- Tarmogoyf
2- Venser, Shaper Savant
3- Vendilion Clique

2- Umezawa’s Jitte
3- Engineered Explosive
2- Vedalken Shackles
4- Ancestral Vision
4- Mana Leak
4- Spell Snare
2- Cryptic Command

Sideboard
2- Disenchant
2- Future Sight
3- Path to Exile
1- Engineered Explosive
1- Sower of Temptation
4- Ethersworn Canonist
2- Relic of Progenitus

Até um dia antes do campeonato eu estava jogando com 25 terrenos, sendo 1 Steam Vents para splashar Ancient Grudge no meu sideboard, além de usar Sowers no lugar dos Comandos no main deck. Acabei optando por Disenchant por eliminar de vez uma quarta cor e colocando o 26º terreno pois achava importante no mirror não perder o land drop. Os Comandos pareciam melhores que Sower na maioria dos matches, então acabei fazendo a troca.

Acho bom comentar um pouco sobre essa lista, pois apesar de não ser nenhuma novidade ela é diferente das listas mais usadas. A principal diferença é que Tarmogoyf é muito bom em um ambiente em que a maioria dos decks são aggros. Além do mais, me incomodava no deck o fato de não ter um clock rápido. O único match que ele deixa a desejar é contra elfos, mas mesmo assim parecia uma boa escolha. Com a adição de uma segunda cor, a terceira foi fácil. Path to Exile é uma carta que eu nunca fui um grande fã, e não achava necessário usá-la no main deck, já que eu não esperava tantos Nayas e sim bastante mirror.

Chegando no dia do campeonato algo que eu não esperava aconteceu: Naya era um dos decks mais populares do ambiente. Depois de abrir 2-0 acabei enfrentando 2 Nayas seguidos e fechando o PTQ 2-2. Apesar de saber que a chance de eu ir mal era muito grande, acabei ficando bem decepcionado com o resultado, então resolvi trabalhar mais na lista nos PTQs que viriam.

Meu choque foi tão grande com a derrota contra os Nayas que eu decidi mudar bastante a estratégia do meu deck. Na minha cabeça, o jeito que eu estava jogando contra Naya não era nem um pouco eficiente. Eu não podia me tapar, pois se não ele fazia um Thoctar que eu não conseguia remover e eu dependia muito de ter Explosivo na minha mão inicial.

Vou colar a lista que eu acabei usando nos outros 2 PTQs, parece ter mudado pouca coisa, mas garanto que o pouco que mudou fez toda a diferença:

Ugw Faeries

4- Flooded Strand
4- Polluted Delta
4- Mutavault
3- Riptide Laboratory
2- Breeding Pool
1- Hallowed Fountain
7- Island

4- Spellstutter Sprite
4- Tarmogoyf
2- Venser, Shaper Savant
3- Vendilion Clique

2- Umezawa’s Jitte
3- Engineered Explosive
2- Vedalken Shackles
4- Ancestral Vision
4- Mana Leak
4- Spell Snare
3- Path to Exile

Sideboard
2- Disenchant (1- Krosan Grip/ 1- Naturalize)
2- Future Sight
3- Circle of Protection: Red
1- Path to Exile
1- Engineered Explosive
4- Ethersworn Canonist
2- Relic of Progenitus

Tem alguns truques que você precisa aprender para jogar contra Naya. O primeiro é saber quando baixar seus terrenos. Parece simples, mas não é. Vou falar como funciona no geral:

Se você estiver na play, sempre baixe a fetch land (ou Dual) primeiro. Você nunca vai anular nada no primeiro turno, assim podendo tutorar a Dual tomando apenas 1 de dano.

Se você estiver na draw, baixe a ilha primeiro se tiver o Spell Snare na mão. Assim, não precisara tomar 3 pontos de dano caso seu oponente faça uma mágica de custo 2. Assim como se você tiver a Mana Leak/ Spellstutter deixe para baixar a fetch land apenas no terceiro turno.

Claro que a regra muda dependendo de quantas fetch lands você tem na mão, ou de como está distribuído o número de terrenos, se veio dual na mão inicial, etc. Mas uma coisa é importante lembrar, evite ao máximo tomar dano dos seus terrenos, isso com certeza vai decidir o jogo.

Evite baixar o Tarmogoyf sem protegê-lo de um Path to Exile. Ele é uma carta chave nesse match, além de ser o seu finisher. Outra coisa que comentaram comigo é se eu faço o Ancestral Vision ou se eu guardo o terreno para o Spell Snare. Eu acho que no meu deck, eu vou preferir fazer o Ancestral Vision a maioria das vezes. Diferente de um Fadas mono blue, meu deck pode se dar o luxo de tapar os terrenos no seu turno, pois com o Path to Exile eu posso remover a carta que eu deixei de anular. Para terminar, evite gastar counter sem necessidade por mais besta que isso possa parecer. Nem sempre é necessário anular aquele Kird Ape no late game quando se tem 3 de vida.

Eu acabava sideando assim contra Naya:
-3 Vendilion Clique -2 Venser, Shaper Savant
+3 Circle of Protection: Red +1 Path to Exile +1 Engineered Explosive

Parece loucura tirar os Vensers, mas se alguém tiver uma sugestão melhor do que tirar pode me avisar. Eu gosto muito de Shackles, mesmo ele entrando com Ancient Grudge ela é uma carta que define o jogo caso ela fique online. Me sugeriram tirar os Ancestral Vision no draw, no começo parecia uma idéia boa, mas quanto mais você joga com o deck, mais você percebe o quanto Ancestral Vision é importante no match, e com Path to Exile eu posso faze-lo no turno 1 sem ter que ficar aberto para o Spell Snare. COP red é uma carta excelente, evita os Thoctars e te protege dos burns do topo.

Quanto aos outros matches acho que não tem muito segredo, então vou comentar um pouco por cima. Contra TEPS tente manter uma pressão inicial e anular apenas as cartas chaves como Lótus Bloom ou Peer Through Deeps. Vendilion Clique é muito importante no match, mas não acho certo segurá-la na mão até o combo para tentar tirar o Desire quando ele fizer o último ritual, mas tenha em mente que é uma boa alternativa caso ele comece a combar.

+4 Ethersworn Canonist +3 Circle of Protection: Red
-3 Path to Exile -2 Vedalken Shackles -2 Umezawa’s Jitte

Pós sideboard o jogo fica ainda mais facil. Canonista quase nunca é esperado, e provavelmente ele terá muito poucas respostas para ele. COP red é uma excelente carta contra a possível Akroma e também é algo que ele certamente não irá esperar. Não se esqueça de sempre que possível blefar o Stifle, como anular uma das cópias do Gigadrowse com a Spellstutter para ter uma ilha desvirada.

Contra elfos o segredo é anular apenas os elfos importantes e a Glimpse. Sempre fique atento com o número de elfos desvirados e terrenos, pois se ele não atacou nesse turno certamente ele irá fazer um Chord of Calling. Normalmente o jogo vai acabar quando você conseguir com que uma Jitte fique na mesa.

+4 Ethersworn Canonist +1 Path to Exile +1 Engineered Explosive +1 Krosan Grip +1 Naturalize
-4 Tarmogoyf -2 Vedalken Shackles -2 Venser, Shaper Savant

A carta que você deve ter mais medo é o possível Choke, então é necessário colocar respostas para ele. Uma coisa que eu só fui perceber no PTQ de Porto Alegre é que colocar respostas que usem verde é muito melhor em comparação com as que usam branco. Você, por exemplo, pode fazer um Canonista ou um Path, e se ele fizer um Choke você ainda pode destruir o temido encantamento.

BGw loam é um deck que eu nunca tive dificuldades, até perder para um no Top 8 do Rio de Janeiro. Ter Tarmogoyf no deck é uma grande vantagem, já que ele não morre para Darkblast. Tente ser bastante agressivo, pois ele não poderá perder tempo “combando” com o Life from the Loam e combatendo suas criaturas. Tome cuidado para não buscar todos seus terrenos coloridos de uma vez, pois ele pode acabar com sua fonte de mana com Ghost Quarter.

+2 Future Sight +2 Relic of Progenitus
-3 Path to Exile -1 Spellstutter Sprite

Não sou muito fã de Spelltutter nesse match, então acabo tirando uma por falta de opção. Tirar Path to Exile parece certo pois um Ghost Quarter na sua Dual pode fazer com que você tenha 3 cartas mortas no deck.

Mirror

As cartas chaves no mirror são Ancestral Vision e Vedalkean Shackles. Tarmogoyf é uma carta que eu gosto muito nesse match também, pois ele impõe pressão e faz com que seu oponente seja obrigado a conseguir alguma resposta para ele.

+2 Future Sight +1 Krosan Grip +1 Naturalize
-3 Path to Exile -1 Engineered Explosive

Com essa nova lista acabei fazendo Top 8 no PTQ do Rio de Janeiro e final do PTQ de Porto Alegre. O fato de não ganhar a passagem para Honolulu me deixou bem chateado, mas Magic é assim, nem sempre a gente consegue o que quer. Mais importante que aprender a ganhar é aprender a perder no Magic, pois em um campeonato como o PTQ apenas o primeiro lugar importa e com isso você irá perder muito mais que ganhar.

Minha cabeça mudou muito desde que eu escrevi o “Motivos para se odiar o extended”. Entendi que o formato não é nem um pouco como eu pensava e que uma boa preparação sempre acaba com esse medo de “formato só sorte”. Espero ter ajudado quem ainda tem algum campeonato extended pela frente, ou apenas quem gosta de ler sobre esse formato. E que venham os Regionais!

segunda-feira, 6 de abril de 2009

*Regional Devir TOP8*

por Leandro "Stalker"

"Estou com 3 de vida, ele com 3 tokens de goblins e meu único bloqueador é uma Treetop, não tenho mais nada de útil na minha mão. Ele ataca, e antes que eu possa me defender tomo Path to Exile e assim termina o regional para mim.
"

Comecei a decidir do que jogar no regional em fevereiro. Após muitos testes com o Thorgrim a gente queria sentir como que funcionava o match entre os principais decks do ambiente. Durante todo esse tempo testamos várias versões de RW, BW, 5cc, Fadas, Kithkin e BR Blightning. Fazendo uma proxie aqui outra ali, testávamos bastante, ainda mais quando os barubinhas vinham para os treinos também.Com 4 pessoas testando, os resultados vem numa maior velocidade. Eu não gostava de nenhum desses decks. Talvez pelo meu trauma de ter jogado praticamente o ano passado inteiro de Fadas, e chegar a conclusão de que quando você está com o melhor deck, muitas pessoas terão a mesma idéia e você não conseguirá ter uma vantagem muito grande no mirror match. Esse era o caso dos W/x. Parecia que o jogo se decidia muito em quem começava ou quem abria com Spectral Procession primeiro. O deck era totalmente reto, você simplesmente vai jogando as cartas de acordo com a sua curva de mana. Óbvio que a combat fase desses deck era bem complicada, com infinitos bixos para os dois lados, portanto um jogador mais experiente conseguiria tirar vantagem dessas situações, mas no geral a qualidade das draws seria superior a habilidade dos jogadores. 5cc eu também me recusava a jogar, principalmente por causa do FFA do ano passado onde me arrependi profundamente de ter jogado de Toast. Não porque o deck fosse ruim, ele era muito bom, mas ele simplesmente não matava, e isso me levou a empatar 2 partidas no FFA e ser eliminado no critério de vida. Meu oponente abria de Mutavault, batia e pronto, perdi.

Entre tantas indecisões, eis que surge um deck que foi praticamente amor a primeira vista. O BG Elves. Nesse ambiente, eu senti que uma Vanquisher no 2° turno era uma carta poderosa demais. Não morria para Fallout, não morria para Infest e o oponente não podia gastar um Path to Exile cedo nela, o que aceleraria meus Camaleões, Garruks e Cloudtreshers. Thoughtseize era uma ótima carta também, por tirar as cartas chaves da mão do seu adversário e permitindo você jogar corretamente em volta do resto. Para os testes eu usei umas listas que o Bolovo tinha me passado, já que ele ia muito bem de BG nos campeonatos do Mol. Fomos trocando idéias ao longo das semanas, discutindo o match contra os W/x e como Fadas e 5cc eram byes para o deck. Veio então o GP da Liga e emplaquei um Top8, porém perdi para um RW e ganhei nada. Premiação só para o Top4. Mas pelo menos a experiência com o deck foi boa, já que eu perdi em 2 games atípicas, onde eu não consegui fazer nada de relevante nos dois jogos.

Dessa lista do GP, eu comecei a ficar impaciente com o Murderous Redcap. Muitas vezes eu não conseguia fazer nada de útil com ele, já que eu precisava matar muitas vezes as criaturas firststrike (Meadowgrain e Orchid) e com uma antífona na mesa isso ficava impossível. Eu tinha que tirar eles da mesa para poder bater com a Vanquisher, ou pelo menos ter a capacidade de usar ela como bloqueadora. Figure of Destiny que no early game não era uma ameaça já que para mim era muito bom o cara gastar as suas manas dando pump no Figure ao invés de fazer spells, ficava um monsto quando ele entrava no late game e o Redcap não conseguir lidar com ele. Além do que ele fazia os Burrenton das pessoas que usavam ele no MD ficarem úteis. Contra Fadas era uma carta bem ruim também, porque tudo o que você vai fazer do 4° turno em diante vai levar counter ou você não terá mana por causa de Mistbind. Creio que resolvi todos esses problemas usando 2 Terror no lugar dos Redcaps. Agora eu também tinha mana para matar um bixo e atacar com a Treetop ao mesmo tempo.

O sideboard foi sendo desenvolvido ao longo do tempo, então acho que vou abrir um parêntesis para falar das duas versões de BG que andam circulando por ai. Praticamente temos as versões com elfos (Imperious, Skull-Shaman) e a mais rock, com Finks e mais remoção. Existe também uma grande discussão entre Liege x Camaleão.

Eu testei as duas versões, e a desculpa para usar Liege era contra os decks de Blightning e 5cc, para poder descartar eles. Com tanto fallout rolando por ai, a lista era frágil. Imperious não faz praticamente nada no turno em que ela entra, não bloqueia e provavelmente sua habilidade de criar tokens só vai ser utilizada no 5° turno em diante, já que você não pode deixar de fazer o seu drop4, com Camaleão, Garruk ou Liege. Além do que morre fácil nesse tempo todo. O Wolf-Skull era outra coisa que me irritava, tinha jogos em que ele era uma máquina, fazendo 3 lobos seguidos e tinha jogos, normalmente quando você mais precisava em que ele não iria fazer nenhum lobo. Usando essas duas cartas ruins é claro que o match contra 5cc e Blighting iam ser mais complicados e ai a esperança de que usando Liege fosse salvar a sua pele. “Ah! Mas o Liege também pumpa os seus bixos para não morrar para fallout.” Isso é uma grande besteira convenhamos, não é desculpa para querer usar ele no deck.

O Kitchen Finks por outro lado era O CARA. Sua garantia de não parar o beatdown após uma remoção em massa, praticamente uma carta que ganhava sozinho de BR/MonoR. Fazia eu ganhar muito tempo, trocando por criaturas do meu adverário e ganhando 4 de vida nesse processo. Camaleão era muito bom também, uma carta que ainda é o pesadelo para o fadas e qualquer outro deck que use preto. A situação que mais me fez escolher ele ao invés do Liege foi nas partidas contra os W/x. Quando o cara tinha 2 antífonas na mesa e um Knight of Meadowgrain 4/4. Enquanto o Liege tinha que ficar parado, não podendo nem bloquear nem atacar, o Camaleão não tava nem ai, passava por cima de tudo.

Por último, o xodó do deck. Civic Wayfinder. Muita gente olha para ele e não consegue entender o porque que ele está no deck. Ele é o diretor de Harmonia dessa Escola de Samba chamada BG Elves. Garantia de que você ira fazer seu drop4 no turno 4, mesmo com as Treetops atrapalhando a sua curva as vezes. Segurança de que você ira achar a sua fonte preta para não ficar com o Terror ou Eyeblight e principalmente o Thoughtseize mortos na mão. Usando 4 mutavaults, eu lhe asseguro, você vai zicar cor algumas vezes, e o Civic conserta, principalmente quando você abre com 2 mutavaults na mão e precisa achar a sua 2° verde para fazer o evoke do tresher, Camaleão ou Garruk ou aquela segunda fonte preta para o Profane Command.

Elaborando o sideboard:

Aqui entra a galera do #mtg.Br. Conversando com o Bolovo, Bertu, Sandoiche principalmente e botando isso em prática com o Thorgrim nos treinos IRL. Numa escala de good matchups para bad matchups minhas impressões eram:

Fácil (Matches que em hipótese alguma eu poderia perder nos regionais):
Blightining
MonoR
Dark Bant
Swans

Médio-Fácil (Matches que eram favoráveis, mas que existia a chance de perder)
Fadas
5cc

Médio-Dificil (Matches desfavoráveis, mas que com um bom plano de SB era contornável)
Kithkin
Boat Brew

Difícil
BW

Impossível
Esper Lark, ou qualquer coisa com Lark, Mulldrifter, Sower e Wall of Reverence.

Como o Thorgrim ia jogar de BW e nos treinos esse era o único deck que por mais que eu tentasse eu não conseguia ganhar de maneia convincente, meu foco acabou sendo vasculhar todas as cartas possíveis atrás daquela tech do sideboard para este match em específico. Mas para isso eu precisava entender porque que eu estava perdendo. O match em si era uma corrida, ele batendo com os tokens de blossom e de procession, enquanto eu tento bater por baixo com Vanquisher e Camaleão. Enquanto que no chão ele tinha o Meadowgrain, Finks e Sculler para me atrasar, eu só tinha o Tresher para limpar o céu. O Cloudgoat Ranger era tipo o Fatality do Mortal Kombat, ou aquele arremessador do beisebol que entra no jogo só para fechar a partida, atrapalhava, mas não era a carta chave da partida. Tanto o Finks como o Meadowgrain conseguiam me tirar do range do Profane Command. E portanto a tática de Profane+Tresher que funcionava tão bem contra RW não dava certo contra BW, além de ter o Sculler para bloquear meu bixo fear. Eu odiava infest, porque era uma carta que muitas vezes não tirava da mesa o Meadowgrain nem o Sculler, além de matar meu Llanowar e o Civic. Eu resetava a mesa, o que daria tempo para o BW reconstruir ela novamente enquanto eu tinha que começar do zero no próximo turno. Com o problema diagnosticado fiz um brainstorm com o Sandoiche de tudo o que poderia servir de SB contra BW, Stillmoon, Fulminator, Warhammer. Nada me agradava muito, até que ele relembrou de uma carta que era muito boa no bloco de Lorwin/Shadowmoor e que era simplesmente perfeita. Damnation!

- Mas Stalker, você está louco? Damnation não é mais T2.

Ok, vou explicar. Incremental Blight (Sim Ragabash, até que enfim a gente concordou com alguma coisa!) A carta era perfeita contra BW. Eu resolvia uma e de repente a race virava toda ao meu favor. Eu poderia não matar todos os bixos dele, mas eu estava dando –6/-6 para as suas criaturas. De repente aquele Meadowgrain que impedia minha Vanquisher de atacar não impede mais, aquele Finks que daria 2 blocks no meu Civic ia embora e não voltava mais. Com o chão livre eu conseguiria racear os tokens voadores. No primeiro teste, experimentei usar só 2 Incremental Blight, mas logo vi que 4 era o número mágico. A carta era realmente a tech que faltava para enfrentar os BW. Enquanto muitos jogariam em volta de infest, o incremental iria quebrar as pernas de muita gente. De quebra ainda ganhei uma carta que seria boa no mirror (imagine matar uma Vanquisher, Imperious e Llanowar de uma vez só) e de muita utilidade contra os Kithkins também. A carta era melhor que Damnation, pois meus bixos ainda ficavam vivos.

Depois de tantos treinos, discussões a lista final foi a seguinte:

Lands
4 Gilt-Leaf Palace
4 Llanowar Wastes
4 Mutavault
4 Treetop Village
2 Twilight Mire
4 Forest
2 Swamp

Creatures
4 Chameleon Colossus
4 Civic Wayfinder
3 Garruk Wildspeaker
4 Wren's Run Vanquisher
4 Llanowar Elves
3 Kitchen Finks
2 Cloudthresher

Spells
3 Eyeblight's Ending
4 Thoughtseize
3 Profane Command
2 Terror

Sideboard
SB: 1 Cloudthresher
SB: 2 Shriekmaw
SB: 2 Mind Shatter
SB: 2 Puppeteer Clique
SB: 1 Primal Command
SB: 2 Guttural Response
SB: 4 Incremental Blight
SB: 1 Hurricane

Até a noite anterior esse hurricane era um Gleeful Sabotage, uma bullet para qualquer coisa random que eu pudesse enfrentar ao longo do dia, Tezzerator, Circulo de Histórias, além de poder lidar com 2 antifonas ao mesmo tempo. Porém o Thorgrim quase surtou e disse que não ia me deixar jogar com essa coisa no sideboard. Após alguns argumentos relevantes ele me convenceu e o Hurricane ficou ai, se bem que após o regional eu estou pensando em trocar esse Hurricane por uma 3° Puppeter ou um 2° Primal Command.

Tenho uma noite tranqüila, até o momento que o Hugo fica me ligando de madrugada pedindo carona, nem atendo, só quero dormir em paz. Acordo, e o carro do tio Juca parece aquelas Peruas escolares, pego o Thorgrim, Alex, Rato e o Hugo e vamos lá. Durante o caminho Rato tem a ousadia de reclamar do meu CD do Led Zeppelin e dou o primeiro Warning, troco Led por um CD da Fernanda Porto, e a seção tortura começa.

Chegamos na Devir, reecontro a galera de sempre, todo mundo perguntando do que eu iria jogar e eu tentando não revelar, inútil, já que eu não consigo dizer não para as pessoas. 20 minutos depois todo mundo já sabe que eu estou de BG. O Sandoiche ainda está correndo atrás das cartas que faltavam para ele fechar o deck, já que a gente ia com a mesmo lista, 75 carta idênticas. Circulando e vendo as pessoas com os seus decks, vejo que as escolhas mais populares do dia são Blightning e 5cc, um bom sinal, já que os 5cc iriam ganhar dos BW e deixar o meu caminho para a vaga no nacional um pouco mais tranqüilo. Converso com o Wendell também, o cara é praticamente a Enciclopédia Barsa do Magic the Gathering.

Listagem ok e deck no shield rosa para dar sorte. Saem os pairings e já pego um amigo logo de cara:

Round 1 - Salsicha (Fadas)
Ele foi meu primeiro grande rival no Magic, na época em que eu tinha acabado de fazer meu DCI e ele sempre me atropelava nos FNM quando a Magic Domain ficava na Teodoro ainda.

O jogo em si foi meu anticlimático. Eu mulliguei para 6 no draw e fiquei com uma mão de 1 Floresta 1 Treetop e 1 Civic, e outras cartas irrelevantes no momento, não consegui fazer o Civic no 2° turno e ele abrindo de blossom, deu counter em todas as minhas spells e perdi. G2 lembro que abri bem e ele não veio de blossom. G3 ele mulligou para 5 e ai ficou fácil.

Games 2-1
Match 1-0

Round 2 – Negão (LD)
Mais um da galera da Magic Domain, eu ganho no dado e não faço idéia do que ele está jogando. Felizmente eu vim com as 2 melhores mão que eu abri no regional inteiro. Mana Llanowar, mana Vanquisher e Seize. Ai ao olhar a mão dele vejo cartas que só me dão alegria e espanto ao mesmo tempo: 2 Demolish, 1 Rain of Tear, 1 Fulminator e 1 Ajani. Tiro a Ajani, faço outra Vanquisher e não tem mais como ele segurar. G2 ele faz umas 2 Ajanis, Demigod, infest. Lido com as ajanis, mato o demigod, e após tomar infest topdecko um Thoughtseize que tira um Siege-Gang. Ainda faço meu 2° Garruk do jogo e um camaleão e ganho um jogo que nós dois concordamos que era muito bom para mim. Negão tava atropelando todo mundo nesse regional com esse deck, ganhou do Thorgrim e na partida valendo o top8 ele pegou outro BG e não conseguiu segurar.

Games 4-1
Match 2-0

Round 3 – Burghi (Dark Bant)
Match relativamente fácil para mim, nos testes era só matar o Rafiq que eu não teria muitos problemas que o Camaleão iria finalizar o jogo fácil, mesmo ele usando Path to Exile G2 eu joguei em volta dos Snakeforms para não perder meu changeling a toa, e com Profane voltando Vanquisher e matando o War Monk ganho o jogo tranqüilamente.

Games 6-1
Match 3-0

Round 4 Paulo Eduardo (Boat Brew)

G1 lembro dele fazer Harbinger buscando um Lark, porém ele nunca chega na 5° mana e ganho o jogo tirando os Figure e Ranger da frente e batendo com a Vanquisher. G2 ele faz um soft lock de Harbinger Fanático e Reveilark, vou dando remoção no Lark e ele sempre botando outro no topo. Até a hora que ele procura, procura, procura e coloca um Wispmare no topo, pelo medo de eu estar usando Blossom. Sem mais dificuldades eu faço uma Puppeter pegando o Lark, batendo e ainda voltando meu Civic para o jogo. Aqui ainda faço uma jogada praticamente desnecessário que poderia ter me custado o jogo. Profane de x=8, quando eu tinha 16 de vida. Não tinha mais como eu perder o jogo, minha mesa estava ótima, porém abri a oportunidade de perder para um Wild Ricochet. Paranóias a parte, fiquei feliz de ganhar um match que não era tão com para mim.

Games 6-1
Match 4-0

Round 5 ??? (Planeswalkers.dec)

Ele tinha ganho do MBC no round anterior, e eu tinha treinado esse match algumas vezes, sabia que os Mind Shatter do sb eram importantes e que Treetop, Mutavault e Garruk fariam a diferença nesse jogo.

G1 mulligo para uma mão que tenha Seize ou Vanquisher. Estando no play, consigo abrir bem, tirando uma ajani da sua mão e torcendo para ganhar o jogo antes que ele tenha mana para o Nicol Bolas. Faço Garruk e consigo por muita pressão, já que ele tem que gastar os Comandos Cripticos dando fog+bounce na Treetop. G2 ele keepa uma mão de 7 cartas e 2 lands, tiro a jace com um seize, e mato ele rapidamente com 2 vanquishers+treetop e mutavault.

Games 8-1
Match 5-0

Round 6 Alex (Boat Brew)
Mais um carinha da Domain.
No draw eu arrisco uma mão de 2 lands, Llanowar e Civic, porém ele tem fanático para o Llanowar e eu demoro para achar minha 3° fonte de mana a tempo. G2 ele mulliga para 5. G3 eu tenho que rebolar muito para estabilizar a mesa para o meu lado, isso inclui me livrar de uma Ajani com 6 marcadores da mesa, um figure 4/4 e os tokens de espírito, além de impedir dele ativar a Hideway. Quando estou pronto para tomar o controle da partida ele compra outra Ajani e em seguida um Reveilark. Perco mais um turno para tirar a Ajani da mesa e o Lark ganha a race para, apesar de eu ter 3 Treetops, 1 Mutavault e land suficiente para ativar todas.

Games 9-3
Match 5-1

Round 7 ??? (Monow Kithkin)
Mais uma vez meu oponente abre de Windbrisk, ele vem de Figure e eu faço seize e vejo o Meadowgrain, Antífona e o Cenn. Penso bastante no que tirar, e já que eu tenho Vanquisher, Finks e Profane na mão, tiro o Meadowgrain, para poder ganhar tempo e fazer ele não atacar com os bixos para cima da Vanquisher. Compro mais algumas remoções ao longo do jogo. Ele não faz nenhuma Procession nem Cloudgoat e eu ganho com 2 camaleões batendo muito. G2 finalmente posso usar meus Incremental Blight do SB. Faço praticamente um 3x1, limpo a mesa dele e tenho Vanquisher, Finks e Treetop para dar os danos necessários.

Games 11-3
Match 6-1

Saem os standings e eu sou o melhor 6-1, com .68 de milésimos enquanto o resto está com .58 Da para dar ID tranquilo agora.

Round 8 ID na mesa 2

Top8 Alex Boat Brew (o mesmo do round 6)

Aqui foram dois jogos que nem valem muito a pena eu comentar, já que eu não fiz praticamente nada. Única coisa que posso falar foi sobre o meu primeiro mulligan no game 1. Minha mão tinha 1 Painland, 2 Llanowar, 1 Vanquisher, 2 Camaleão, 1 Garruk. Alguns achavam que eu deveria ter arriscado ficar com ela, mas essa é uma mão perdedora. Ela perde para praticamente qualquer carta do RW: Fanático, Procession, Ajani, Siege-Gang. Eu não posso perder dropland nesse jogo. O match já não é tão fácil e jogar um turno atrás do RW e pedir para perder. As próximas 6 cartas eram ótimas, com tudo o que eu queria, porém eu só tinha a mutavault de land. Mull para 5 mediocre com 2 lands. Game 2 tive problemas em encontrar lands suficientes mais uma vez, tendo que me contentar com uma mão de 1 Cloudtresher, 2 seize, 1 Treetop e 1 Painland..

Games 11-5
Match 6-2-1

Falando sobre o que ocorreu entre os jogos, muita gente vinha me perguntar se eu estava triste ou chateado, achando que eu tinha perdido algum jogo durante o suíço. Eu estava totalmente focado em ganhar esse regional, por isso a cara fechada toda hora, sem nenhum sinal de felicidade ou alegria. Acabava a rodada e ao invés de sair dizendo que meu oponente deu sorte, ou que eu tinha dado azar eu sentava num canto e tentava fazer um replay do jogo mentalmente, em busca de alguma jogada que eu poderia ter feito diferente. Pensando em como eu iria sidear caso pegasse o cara A ou o B ou o C.

Jogar regional é como jogar a série B do campeonato brasileiro, todo mundo quer o acesso a elite, todo ano muitas pessoas sobem, mas poucas conseguem se manter lá sem precisar voltar a jogar regional, e manter a concentração é uma habilidade importante nessas horas, para você não perder uma partida que você tenha jogado errado. Perder é normal, faz parte do jogo, mas você não pode perder o jogo por sua culpa. Por isso que ao perder no top8 muita gente veio me dar as condolências, falando para não desanimar, que uma hora eu consigo ganhar a vaga. Mas eu não estava chateado. Depois de tantos treinos, eu vi que minha preparação para esse regional estava muito á frente de muitas pessoas. Eu fiz tudo o que eu estava ao meu alcance, porém certas coisas eu não posso controlar, e nem sempre as coisas saem como a gente quer. Se eu tivesse jogado errado ai sim eu estaria chateado comigo.

Fiquei muito feliz de saber que Dicke ganhou a vaga ontem. Parabéns rapaz!

A para todo mundo que estava na minha torcida, espero que tenham gostado do report e que tenham aprendido alguma coisa com ele. Boy e Ertai, RC é nóis na fita, já pode ir reservando aquela pizza Big Fat Monster!

Até a próxima.

sábado, 4 de abril de 2009

Inspiração

por Leandro "Stalker"

Estou a poucas horas de começar minha 3° temporada de regionais. Em 2007 eu era novato, mal sabia o que significava um regional. Um campeonato que dava a vaga para o nacional e ponto final. Chegando lá, e vendo que naquelas 200+ pessoas, apenas 2 conseguiriam a vaga. Era uma tarefa difícil. Métodos de treinos bem precários, decklists longe do ótimo. Ao longo do ano fui conhecendo outros jogadores que me acompanhavam de regional em regional. Foi um longo ano de aprendizado.

2008, já sabia como que funcionavam as coisas. Aquelas centenas de rostos já eram mais familiares. Eu ainda era um desconhecido para muitos, já que ainda não tinha conquistado resultados muito expressivos. Minha preparação já foi melhor do que no ano anteiror, mas ainda tinha muitas lacunas a serem preenchidas. Formei minha primeira equipe, com listas de emails para discussão e treinos IRL quase que quinzenais. O fator disponibilidade de cartas e decks já não era mais problema, mas mesmo assim os resultados não vieram. Tivemos ainda a GP Buenos Aires, e posso dizer que após esta viagem amadureci muito. Veio o blog também e derepente virei uma pseuso-celebridade do magic. Até naqueles jogos casuais de mws o pessoal me pergunta "Você que é o cara do blog?". Escrever me ajudou muito, uma forma de refletir sobre algumas idéias minhas e colocá-las em discussão com vocês leitores.

E 2009? Bom, posso dizer que nunca me preparei como esse ano. Amanhã é como o grande dia do vestibular. Não adianta mais estudar na véspera, tudo o que eu posso fazer agora é esperar, me desligar um pouco do magic, mas nem tanto. Muitos ficam ansiosos, dormem mal, passam a noite inteira se revirando na cama até chegar a hora que sai a primeira rodada. Isso é normal, eu já passei por isso muitas vezes, mas esse ano eu me sinto diferente. Determinação, acho que essa é a palavra que mais se aproxima do que eu estou sentindo agora. Estou tranquilo, sei que me preparei o melhor possível e agora é por todo esse me conhecimento teórico em prática. Se ano passado eu ficaria feliz de fazer top8, esse ano eu quero a vaga e nada menos do que isso. Se não conseguir isso no primeiro regional, semana seguinte levanto a cabeça e tento de novo.

Todo mundo tem seus rituais pré-campeonatos. Antes de jogar magic eu era um afficionado por poker, organizava anualmente um campeonato na faculdade, e sempre no dia anterior eu pegava o filme "Rounders" para assistir. Prestava atenção em cada detalhe do filme, principalmente naquela cena em que o Mike está no cassino jogando contra os turistas. Várias dicas de como ler o seu oponente eram passadas, como se comportar na mesa e conseguir lidar com momentos de pressão. Após a minha transição de Poker para o Magic (Sim, eu fiz o caminho inverso da maioria das pessoas) eu tenho meus rituais também. A bandana vermelha é um deles, mas o Thorgrim me passou alguns também e que eu comecei a fazer este ano. LER na véspera dois reports que sem dúvida vão muito além de fiz mana bixo, bati e ganhei. O primeiro deles é do próprio Thorgrim de quando ele ganhou o regional da Devir em 2007. O segundo é o report do Bertu após ganhar o Nacional do mesmo ano. Nas palavras do Indie, um report à la Tarantino, com idas e vindas. São dois textos muito inspiradores de leitura muito agradável.

Por último, tem este livro que eu encontrei hoje enquanto passava por uma livraria. Não é merchan nem nada, mas bem que eu gostaria de ganhar algum dinheiro fazendo propaganda deste livro. "Nunca deixe de tentar". Escrito por nada mais nada menos do que o lendário Michael Jordan. Um livro curto, porém com palavras muito inspiradoras. Seja na área do esporte, negócios ou de questões do nosso dia-a-dia.

Ok por hoje é só, durante a semana eu conto os resultados deste primeiro regional.