quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

A volta do FofBR?

Por Leando "Stalker"

Bom pessoas, 2009 chegou ao seu fim e como estou passando as festas de fim de ano aqui em São Paulo tive a oportunidade de reencontrar velhos amigos e voltar a sentir aquele gostinho de jogar Magic novamente. Muitas coisas mudaram desde a última vez, não tem mais dano na stack, 10ed° ainda estava valendo, fetchland era coisa só do extended... enfim, quando se fica mais de 6 meses longe de tudo a primeira sensação é um pouco estranha.

Quando temos que conciliar várias coisas ao mesmo tempo tudo é um pouco complicado. Eu gosto de me dedicar muito naquilo que eu faço, e atualmente meu foco é o meu trabalho como engenheiro lá no Amazonas, uma oportunidade única de trabalho e uma experiência de vida sensacional.

Mas, como todo mundo tem que ter um hobby na vida, ultimamente eu tenho encontrado um tempinho para me atualizar com o Magic. É aquela coisa, para escrever no blog, eu preciso estar antenado no que acontece por ai. Conhecer todas as cartas das séries, os decks que tem se destacado mundo afora, os novos players que vem surgindo, e as histórias sempre engraçados que rolam nos campeonatos.

Espero que minha internet me ajude a continuar conectado nesse mundo, e assim dar sangue novo nesse blog tão querido.

post dedicado para Fox, Salsicha, Fanfas e Fabinho, pela força e incentivo que vocês me deram nessa minha rápida estadia por São Paulo. Como diria o governador da Califórnia: "I'll be back".. ainda tenho assuntos pendentes.

Boas festas para todos.. e que venha 2010!

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Amazonas News

Por Leandro "Stalker"

Olá mundo civilizado, já faz um bom tempo que eu não escrevo por aqui, e pelo jeito nem a galera que deveria escrever :P

Primeiramente devo dizer que minha vida tomou um rumo radical. Tive que fazer uma escolha díficil mas que teve seus pontos positivos e negativos. Sai da minha querida e friorenta São Paulo para trabalhar numa empresa no quente e úmido Amazonas. Isso já faz uns 2 meses, e agora que minha vida começou a se estabilizar posso voltar a ter tempo para acompanhar novamente um pouco do magic por ai. Jogar MOL ainda é algo inviável para mim, já que o modem da Vivo 3G é horrível aqui e a conexão cai toda hora. Quem me viu no Mirc/MSN nesses dias deve ter percebido isso.

Segundo, devo dar aqui meus parabéns ao PV, bi-campeao brasileiro, ao Jaba por mais uma vez representar a seleção brasileira no mundial e ao Ari, que pouca gente conhece, mas quem é de São Paulo sabe muito bem quem é. Reza até a lenda de que foi ele quem ensinou o Jaba a jogar de tog nas vesperas do mundial de 2002. Muita sorte para voces em Roma.. e Eloi, apesar de eu não te conhecer tao bem, força rapaz.. apesar de discreto e sempre polemico, ta sempre fazendo resultados expressivos.

Para as pessoas que andam chateadas com a falta de atualização do blog o que eu posso dizer é que tirando motorista e cobrador, tudo na vida é passageiro. Eu acabei priorizando minha vida profissional, e o Thorgrim também.. e ele ainda está trampando de segunda a sabado, ou seja, tempo para pensar em magic é praticamente zero. Mas a vida é assim, toda hora nós somos obrigados a fazer escolhas e isso nos faz levar a outros rumos. Magic é um puta passatempo, e a gente levou ele muito a sério nos últimos tempos. Criamos o blog, pesquisamos, treinamos e escreviamos sobre as nossas experiencias e as teorias de jogo.

Pelos próximos anos acredito que nao verei nada de magic, principalmente quando meu desejo é crescer profissionalmente, mas as lições que esse tal joguinho me deu são inúmeras, posso citar várias situações, mas que vou deixar para um próximo post. No geral, com foco e disciplina, a gente alcança qualquer objetivo na nossa vida.. um dos meu sonhos era jogar um Pro Tour, infelizmente nunca cheguei a realiza-lo, mas eu sabia que estava no caminho certo. Ia para os campeonatos sentindo que eu estava mais preparado que a grande maioria, e depois de alguns top8s em PTQ eu sabia que era questão de tempo até ganhar a vaga.

Antes de encerrar esse post, digo que o blog não morreu, só está tomando um folego. Eu não jogo já faz muito tempo, nem sei direito como que são essas novas regras de M10, e o máximo que eu posso fazer é escrever sobre coisas do nosso cotidiano, e onde o magic interfere de uma maneira positiva nele.

Para quem estiver com saudades de mim já deixo avisado: Na semana de feriado de 7/set eu estarei dando uma passada em SP, espero que role um churras no trevas de recepção, carne por minha conta :)

Até a próxima
-Stalker

terça-feira, 30 de junho de 2009

O Impacto das Regras de M10

por Cauê "Chineis" Hattori

I could stay awake just to hear you breathing
Watch you smile while you are sleeping

While you're far away and dreaming
I could spend my life in this sweet surrender
I could stay lost in this moment forever
Well, every moment spent with you
Is a moment I treasure

Exagero? Dramático demais? Quem me dera! A mudança de regras que acontecerá junto ao lançamento de M10 é gigantesca!

Ainda não vi (acredito que ainda não tenhamos) as regras oficiais que mudarão para M10, mas acredito que já estejamos numa boa época para nos preocuparmos com isso.

A questão é que o Nacional aqui no Brasil está marcado para o último final de semana do mês de julho, ou seja, dias 24/25/26, e o update das regras no mol está marcado para o dia... 27/07!

Exato, para muitos, a primeira oportunidade de jogar com as novas regras, será praticamente no nacional!

Acredito que a maioria das lojas vai propor torneios não sancionados (condição para poder usar regras diferentes das oficiais) para testes antes do nacional, e justamente para isso estou tentando fazer uma compilação prática do que mudou. Explicarei cada mudança com 3 pontos: COMO ERA, COMO SERÁ, O QUE MUDA. Espero me fazer claro o bastante, e lembrem-se, esse artigo não poderá ser dado como oficial, já que as regras oficiais ainda não foram publicadas, nem o FAQ, e portanto, não há como imaginar que eu possa ser o detentor da verdade. =)

nota: Somente estarei comentando sobre as mudanças PRÁTICAS do torneio, e não dos pequenos detalhes como mudanças em nomenclaturas (zona EM JOGO para CAMPO DE BATALHA, etc).

Mudança #1
MULLIGANS SIMULTÂNEOS
COMO ERA: O jogador que começava a partida optava por mulligar ou não. Quando ele optasse por não mulligar mais, era a vez de seu oponente fazer suas escolhas de mulligar ou não.

COMO SERÁ: O jogador que vai começar escolhe se mulliga ou não, e seu oponente faz o mesmo. Aí, todos os jogadores que optaram por mulligar o fazem. Depois disso, os jogadores que optaram por mulligar podem optar por mulligar novamente. Um jogador que não mulligou antes não pode mulligar agora.

O QUE MUDA: Não mais se pode esperar para ver com quantas cartas seu oponente vai ficar antes de optar por mulligar. Muitas vezes temos mãos duvidosas, mas que parecem justas quando seu oponente tem apenas 4 cartas na mão. Da mesma forma, pode-se ganhar certo tempo, já que se ambos mulligarem para 5, levarão apenas o tempo de 2 mulligans, ao invés do tempo de 4 mulligans.

Mudança #2
RESERVA DE MANA
COMO ERA: As reservas de mana eram esvaziadas no final de cada FASE, e todo o mana que estava na reserva mas não havia sido gasto era perdido com uma penalidade de 1 ponto de vida para cada mana perdido. Sendo assim, se você tinha 1RU na reserva de mana e passava de fase, você perdia 3 pontos de vida.

COMO SERÁ: A reserva de mana agora será esvaziada no final de cada ETAPA, ou seja, o mana que colocamos na reserva na fase de manutenção não poderá ser usado após comprarmos nossa carta do turno.

O QUE MUDOU: Apesar das aparências, pouca coisa mudou. Mistbind Clique fica um pouco melhor, já que não pode mais tomar uma remoção comprada no turno, e mana burn, num geral, nunca foi um grande instrumento, pelo menos no T2. Apesar das aparências, não devem acontecer grandes impactos em torneios.

Mudança #3
PROPRIEDADES DAS FICHAS
COMO ERA: O controlador do efeito que coloca uma ficha em jogo é o dono dela. Então, se eu invoco um Hunted Dragon, EU sou o dono das fichas de soldado, embora elas tenham entrado em jogo sob seu controle.

COMO SERÁ: O dono de uma ficha é o jogador que a controla quando ela entra em jogo.

O QUE MUDOU: Basicamente nada. Essa regra não tem praticamente impacto algum, mas em um caso bizarro, como Warp World por exemplo, isso pode ser importante. Num geral, esqueçam, estou citando essa mudanças só por desencargo de consciência.

Mudança #4
DANO DE COMBATE NÃO USA MAIS PILHA
COMO ERA: O dano de combate é jogado para pilha, e então podemos usar habilidades ou mágicas antes que esse dano resolva e efetivamente mate as criaturas.

COMO SERÁ: Não haverá mais uma janela para mágicas e habilidades depois do dano assinalado. É como se o dano fosse pra pilha com Split Second, uma vez distribuído ele resolve na hora.

O QUE MUDOU: Ah, finalmente uma boa mudança! Ok, ela não é tão grande assim, mas eu não teria usado a música do Aerosmith se não fosse essa mudança. Essa mudança tem realmente efeitos grandes apenas em alguns casos, que citarei agora separadamente:

1- Combat Tricks
Digamos que eu e você tenhamos duas criaturas 2/2 em combate, eu tenho manas verdes e você tem manas vermelhas. A via de regra, caso eu tenha um Giant Growth na mão, eu devo jogar o dano pro stack para garantir de matar sua criatura, e com o dano no stack, usar o Giant Growth para salvar a minha, e aí, mesmo que eu tome um Shock por exemplo, sua criatura morrerá. Agora, isso não é mais possível! Se eu me arriscar a usar o Giant Growth ANTES do dano, corro o risco de você usar o Shock em resposta e eu perder a criatura e o pump, e você ficar com a sua ainda viva. Questão importantíssima de ser levada em conta, principalmente no Limited.

2- Criaturas com habilidades que requerem sacrifício
Sinta finalmente a sensação de tranquilidade quando sua mutavault se vê frente a frente com um Mogg Fanático. Antes, era possível jogar o dano pra stack e depois sacrificar a criatura para causar o 1 de dano. Ainda podemos fazer o chamado Chump Block, e antes do dano ir para o stack sacrificar a criatura, mas existe uma certa mudança. Essa mudança é sutil no caso do Mogg Fanático ou mesmo do Sakura-Tribe Elder, mas nem tão sutil no caso do novo Dauntless Escort ou de um Baloth Voraz. Entenda, matar uma criatura X/1 e fazer o efeito é sutil, mas matar uma X/3 e salvar as suas, ou uma X/4 e ganhar 4 de vida nem tanto...

Mudança #5
DECLARAÇÃO DE BLOQUEADORES
COMO ERA: Os bloqueadores eram declarados, e o jogador atacante podia distribuir o dano como quisesse, na hora da divisão do dano.

COMO SERÁ: Quando os bloqueadores são declarados, é escolhida uma ordem, (bloqueador 1,2,3), e assim como no caso de atropelar, somente pode-se causar dano a criatura 2 depois de 1 ter dano letal, e somente poderá se causar dano em 3 depois de 2 ter recebido dano letal.

O QUE MUDOU: Pouca coisa na realidade. Com a mudança do dano na pilha na fase de combate, algumas coisas mudaram para pior. Por exemplo, se eu tenho uma carta que previne 1 ponto de dano e duas criaturas 2/2 bloqueando uma 2/4, eu perderia uma das minhas criaturas, já que não poderia esperar meu oponente distribuir o dano para saber em qual das duas eu quero prevenir o dano. Com essa mudança, eu declaro os bloqueadores, e meu oponente já define qual será a criatura 1 e a 2. Nessa hora, eu previno 1 ponto de dano na criatura 1, e meu oponente só poderá causar dano na 2 depois do dano letal em 1, ou seja, eu consegui salvar minha criatura conforme o esperado. Uma mudança complicada, com impacto bem maior em limited, mas que não muda tanto quanto se pensa na funcionalidade do jogo.

NOTA: Uma grande perda nisso (senão a maior) é com cartas como Volcanic Fallout. Com a nova regra, caso eu ataque com uma criatura 4/4 e meu oponente bloqueie em 2 criaturas 3/4. Eu poderia causar 2 em cada e usar um Volcanic Fallout para matar todas. Agora, eu só posso causar dano na segunda criatura depois de dar dano letal na primeira, ou seja, eu causo 4 na primeira e nada me resta para causar na segunda. Uma triste perda, bem menos corriqueira do que parece, mas que ainda assim acontecia.

Mudança #6
TOQUE MORTÍFERO
COMO ERA: Toque Mortífero era uma habilidade desencadeada, então se um Troll Asceta fosse bloqueado por um Conquistador da Toca da Corruíra, ele precisaria regenerar 2 vezes, uma pelo dano letal e outra pelo toque mortífero.

COMO SERÁ: Será uma habilidade estática, com ocorrência redundante (ter toque mortífero 2x não servirá de nada) e ignorará a regra anterior sobre distribuição de dano de combate.

O QUE MUDOU: Em termos práticos, quase nada, pois regenerar não é uma habilidade vista frequentemente. Com a nova mudança, é interessante que você possa distribuir o dano do toque mortífero entre os bloqueadores, mas pode-se dizer que isso simplesmente não foi mudado de como era antes para agora.

Mudança #7
Vínculo com a Vida
COMO ERA: Vínculo com a vida era uma habilidade desencadeada, quando a criatura causa dano, você ganha a mesma quantidade de vida.

COMO SERÁ: Uma habilidade estática, conforme essa criatura causa dano, você ganha o mesmo tanto de vida.

O QUE MUDOU: Duas coisas realmente mudaram. Primeiro, Vínculo com a vida não é mais cumulativo (esqueça seu Rhox War Monk com Loxodon Warhammer). Segundo, se você tem 2 de vida, é atacado por 2 criaturas 2/2 e bloqueia com seu Rhox War Monk, você NÃO morre mais, já que ganha vida "ao mesmo tempo" em que a perde, e por isso não fica com 0 de vida quando os SBE são checados.

Mudança #8
Ordem do Cemitério
COMO ERA: O cemitério tinha uma ordem (conforme as cartas foram colocadas nele) e essa ordem não podia ser modificada.

COMO SERÁ: A ordem do cemitério simplesmente não importa mais.

O QUE MUDOU: Você pode mudar a ordem do seu cemitério, se precisar para se lembrar de cartas que tem efeitos no cemitério, por exemplo. Não é uma mudança realmente significativa, mas vale a pena ser citada.

Mudança #9
Out of Order Sequence
COMO ERA: Existe uma orientação no Penalty Guidelines que se refere a OoOS (Out of Order Sequence), que diz algo como o tão discutido caso de anotar o dano de combate para depois buscar o terreno do Path to Exile. Em determinados moldes (ler orientações) isso é aceito como OoOS. Essa orientação é válida para torneios Regulares e Competitivos.

COMO SERÁ: Essa orientação passará a ser válida também em torneios Profissionais.

O QUE MUDOU: Praticamente nada, já que pro-players pegam atalhos como qualquer outro jogador. Somente foi feita uma mudança experimental, que provavelmente será aceita.

Mudança #10
OUTSIDE NOTES
COMO ERA: Olhar anotações entre games, de como sideboardear por exemplo, eram considerados Outside Assistance, e punidos com Match Loss.

COMO SERÁ: Outside Notes serão permitidas.

O QUE MUDOU: Anotar como sideboardear passa a ser aceito, assim como Altered Arts (que eram negadas pois poderiam estar "auxiliando" um jogador em suas jogadas). As notas só podem ser consultadas ENTRE GAMES, e não se pode colocar coisas como passo-a-passo de combos. O juiz mor é quem define se o que o jogador fez ultrapassou ou não a linha.

Mudança #11
CARTAS MARCADAS
COMO ERA: Se você tinha uma carta marcada, você é forçado a trocá-la por uma carta igual não-marcada, caso contrário, o jogo não poderia continuar.

COMO SERÁ: Caso você tenha uma carta marcada em seu deck e não consiga uma versão não marcada dela, você pode trocá-la por um terreno básico, modificando permanentemente sua lista.

O QUE MUDOU: Há uma flexibilidade maior, por mais que você seja prejudicado tendo que utilizar terrenos básicos no lugar das cartas que estão marcadas, ao menos você não tem que se virar para conseguir um comando críptico no meio da rodada, sob pena de um game loss caso não o consiga. Lembrem-se apenas que caso você troque a carta pelo terreno básico, isso é trocado e NÃO MAIS PODE SER DESFEITO.

Mudança #12
INTERVENÇÃO DE ESPECTADORES EM PARTIDAS
COMO ERA: Se um espectador vê um erro acontecendo, ele deve chamar o juiz para que esse tente consertar a situação, com risco de muito tempo ter passado até que isso aconteça.

COMO SERÁ: Se um espectador vê algo errado acontecendo, ele pode parar a partida e chamar o juiz para consertar a situação. Ele não pode falar qual o erro acontecendo, mas pode pedir para que não continuem jogando.

O QUE MUDOU: Injustiças podem ser evitadas. Muitas vezes, por ausência do juiz (que está longe, ou envolvido em outra situação), e quando finalmente chega ao local, já se passou muito tempo e não mais pode ser constatado o erro. Agora, com o jogo parado até que o juiz chegue, esse tipo de situação pode ser evitada. Também é experimental, mas tem de tudo para dar certo.

Por enquanto, essas são as mudanças já divulgadas. Fiz o possível para compilar todas as mudanças que realmente são significativas, e espero que isso ajude todos a treinar para o nacional/free for all.

As mudanças podem parecer tolas, e acredito que com alguns dias de prática elas já se tornem instintivas, mas até lá, não deixem de treinar para se familiarizar!

Qualquer dúvida, postem e faço o possível para responder nos comentários!

Obrigado a todos e boa sorte em seus treinos!

I don't wanna close my eyes
I don't wanna fall sleep
'Cause I miss you baby
And I don't wanna miss a thing...
"Cause even when I dream of you
The sweetest dream will never do
I'd still miss you, baby
And I don't wanna miss a thing...

segunda-feira, 22 de junho de 2009

GP São Paulo - A minha história - parte 1

por Ricardo "Thorgrim" Mattana

Escolhendo o deck

A minha preparação para o GP São Paulo começa algumas semanas antes, quando fiz (finalmente) top 8 no último Classificatório da Comics, jogando de BW Tokens. Após ser completamente atropelado pelo 5cc do sandoiche, resolvi descartar o BW como opção de deck para o GP que se aproximava. Como eu iria jogar o GP com apenas um bye, não me agradava jogar com algo que possuía partidas muito complicadas contra decks como 5cc, Swans e Turbo Fog.

Como não pretendia jogar com o deck que eu mais joguei na temporada, só me restava pesquisar quais seriam as outras opções viáveis dentro deste novo ambiente que se formava após o GP Seattle.

Assim como a grande maioria dos jogadores, resolvi testar a lista de 5cb que levou o Michael Jacobs ao top 8 de Seattle, mas como muitos já haviam me alertado, a base de mana do deck era horrorosa e mesmo contendo ótimas cartas, o número de terrenos que entravam virados me desagradava profundamente.

Após desistir do deck do Jacobs, minha meta foi descobrir uma lista de Jund Cascade ou 4 colors Cascade que me agradasse. Testei algumas listas parecidas com o deck do Kyle Sanchez, abusando de cartas como Wrath of God e Naya Charm, além de listas de Jund Elves bem parecidas com a que o Nassif jogou em Seattle, mas assim como o deck do Jacobs, nada me agradou por completo.

Sempre tive noção de que o Faeries era uma ótima escolha, principalmente após o sucesso do Swans em Barcelona e após a presença de cinco Faeries no top 8 de Seattle, minha teoria foi confirmada. Porém, como nunca joguei com o deck, nem mesmo na temporada passada quando o deck era certamente o melhor do formato, resolvi seguir outras correntes que me levaram até o BG Elves.

O deck parecia perfeito para as minhas pretensões no GP São Paulo. Era um deck equilibrado, portanto uma boa opção para quem jogaria com apenas um bye; era a escolha do Saito e dos japoneses para esta temporada de GPs Standard; além de ser um deck que eu já estava acostumado a jogar, por causa da temporada passada.

Bastou jogar algumas partidas com o deck, que ficou bem claro que ele seria uma ótima opção em um ambiente, que eu acreditava ser – Faeries, BG Elves, BW Tokens, 5cb/Jund Cascade, além de um número considerável de Swans e UW Reveillark.

Após treinar diversas semanas com o Hugo, Rato e o Alex (Hurley) aqui de Alphaville e de passar um final de semana na casa do João Paulo treinando quase que 24hrs por dia com o Zé, o JP, o Pedrinho e o Felipe (BIGBOSS), pude tirar boas conclusões sobre o deck.

Sem esquecer, é claro, de todas as conversas que eu tinha diariamente com o Inglês e principalmente com o Rastaf sobre o deck e o provável ambiente do GP.

Sexta-feira e Day 1 do GP

Finalmente chegamos à sexta-feira, dia que serviria para conhecer o caminho e o local do evento, oportunidade para fazer a inscrição do GP, além de poder jogar alguns GP Trials e reencontrar diversos amigos de fora de São Paulo.

Minha participação no GP Trial foi bem discreta. Ganhei a primeira rodada de um UW Reveillark, a segunda de um WW Kithkins e perdi no top 8 para um UB Faeries. Não que a partida contra o Faeries seja ruim, mas após o GP, percebi que minha estratégia para lidar com o Faeries era falha – eu possuía cartas como Guttural Response para lidar com Cryptic Command, mas o que realmente me preocupava era a Mistbind Clique e a Sower.

Enfim, após conversar com alguns outros jogadores que iriam jogar de BG Elves no GP e ter uma noção maior de qual seria o ambiente do evento, cheguei à seguinte lista:

BG Elves (a.k.a Mattana Elves)

4 Treetop Village
4 Gilt-Leaf Palace
4 Llanowar Wastes
3 Forest
3 Mutavault
3 Swamp
2 Twilight Mire

4 Wren's Run Vanquisher
4 Putrid Leech
4 Llanowar Elves
4 Imperious Perfect
3 Civic Wayfinder
3 Chameleon Colossus
2 Cloudthresher

4 Thoughtseize
3 Maelstrom Pulse
3 Profane Command
2 Terror
1 Loxodon Warhammer

Sideboard
3 Kitchen Finks
3 Deathmark
2 Guttural Response
2 Puppeteer Clique
2 Primal Command
1 Maelstrom Pulse
1 Loxodon Warhammer
1 Cloudthresher

Minha memória não é muito boa e para facilitar, os papéis onde anotei os pontos de vida estão uma completa bagunça. O report das rodadas servirá mais para falar sobre que cartas fizeram a diferença durante o GP, do que um relato realmente detalhado sobre as partidas.

Primeira Rodada – *BYE* - Win 2-0 Total 1-0 (2-0)

Segunda Rodada – Caroline Silva (Doran) - Win 2-0 Total 2-0 (4-0)

A Caroline era uma mulher super simpática, mas assim como a maioria das mulheres que participam de torneios de Magic, veio para o GP mais para acompanhar o seu marido, do que realmente para competir, portanto devido sua inexperiência ambos os jogos foram bem tranqüilos.

Game 1 – Abro de mana Thoughtseize e vejo dois Dorans, Putrid Leech, Colossus e nenhuma fonte preta. Tiro o Colossus, faço um Putrid Leech e o meu próprio Colossus. Quando ela finalmente acha sua fonte preta através de uma Birds, já era tarde demais e a finalizo poucos turnos depois com um Profane Command.

Ano passado tive sérios problemas nos jogos contra Doran no GP Buenos Aires, mas esse ano com o surgimento de Pulse e cartas como Deathmark no Sideboard, a partida está longe de ser uma dor de cabeça.

Game 2 – Abro uma mão justa, com alguns elfos na curva e ela fica com uma mão muito duvidosa sem fonte verde. Poucos turnos depois, quando ela compra sua primeira fonte verde, já não havia nada a ser feito para controlar a horda dos elfos.

Terceira Rodada – Wendell Santini (UW Lark) - Loss 1-2 Total 2-1 (5-2)

Esta rodada foi um pesadelo para mim. Além de ser a rodada em que joguei o meu pior Magic. Durante os treinos para o GP, eu meio que tinha assumido que o confronto contra UW Lark era causa perdida e resolvi focar o sideboard em partidas que eu acreditava serem mais importantes e que seriam confrontos mais constantes durante o evento.

Em uma destas ironias do jogo, acabei enfrentando dois UW Lark durante o torneio e nenhum BW Tokens, que foi a partida que eu mais me dediquei nos treinos.

Game 1 – Mesmo tendo que optar por uma mão de apenas 5 cartas. Abro uma mão rápida com drops nos dois primeiros turnos, enquanto ele para no segundo terreno. Quando ele encontra o terreno que precisava, minha mesa já estava formada e o finalizo com um Profane Command.

Sidear contra UW Lark é mais um pesadelo. Cartas como Imperious Perfect e Colossus não são tão eficientes quanto gostaria, mas não posso abrir mão de todas por causa da Vanquisher. Spot removals como Terror e Pulse também não são as melhores respostas, mas necessárias para lidar com criaturas como Sower, Wall of Reverence e Muse. Enfim, era uma tragédia, até então, sem solução.

Game 2 – Eu abro razoavelmente bem, ele faz um Kitchen Finks, que segura um pouco do meu ímpeto. Alguns turnos à frente, faço uma Puppeteer Clique que me ajuda a lidar com um Clone e um Meadowgrain, que estavam em seu cemitério.

Porém, não compro nenhum Primal Command, o jogo fica sob seu controle e acabo perdendo para alguns ataques de Reveillark.

Game 3 – Se eu não me engano, sou obrigado a muligar novamente. Fico com uma mão não tão rápida quanto gostaria e após ele fazer uma Sower roubando uma Vanquisher, seguido de um Reveillark, nada mais podia ser feito.

Detalhe, que neste game 3, eu fiquei com um Guttural Response “preso” na mão o jogo inteiro, para depois ouvir que ele tirava todos os Comandos azuis pós-side. 

Quarta Rodada – Cassiano Franco Junior (BR Aggro) - Win 2-0 Total 3-1 (7-2)

O Cassiano é um jogador que conheço de longa data, portanto ambos os jogos foram muito amistosos. A partida contra o BR não é lá muito tranqüila, mas como sua lista não possuía Demigod, os jogos se tornaram muito mais fáceis do que deveriam ser.

Game 1 – Ele não vem com uma mão muito explosiva, nós vamos trocando algumas criaturas e remoções. Procuro administrar meus pontos de vida, pois sei que o late game normalmente está a meu favor e quando um Cloudthresher entra em jogo, o game está decidido.

Pós side o jogo tende a ser muito mais tranqüilo, já que entram cartas como Kitchen Finks, Primal Command, Puppeteer Clique e Loxodon Warhammer.

Game 2 – Mais uma vez ele não abre uma mão muito apelativa e vamos fazendo algumas trocas no começo do jogo, onde eu abro mão de criaturas em troca de pontos de vida.

Quando começo a entrar na red zone, resolvo um Primal Command buscando um Finks e dois turnos depois mais um Primal buscando outro Finks. Como ele comprou mais terrenos do que o necessário, o jogo termina e eu ainda possuo mais de 20 pontos de vida.

Quinta Rodada – Marcio F. Vasconcelos (BG Elves) – Win 2-0 Total 4-1 (9-2)

O Dicke é mais um jogador das antigas, que eu conheço desde os tempos de Merlin. Antes do jogo começar, eu já imaginava que ele estaria de BG Elves, pois tinha visto ele pedindo algumas cartas do BG na sexta-feira.

Game 1 – Assim como a maioria dos jogos contra BG, ambos jogadores vão trocando pontos de vida, criaturas e remoções, até a hora que uma Imperious ou Colossus consegue permanecer na mesa, fazendo com que o jogador assuma a postura de aggro.

No nosso caso, ele conseguiu colocar um Colossus e uma Imperious na mesa, enquanto eu possuía um Cloudthresher e um Warhammer. Após comprar um Terror para me livrar da Imperious, pude trocar o Cloudthresher pelo Colossus e garantir que meu Warhammer ganhasse o jogo para mim.

(Detalhe que neste game, ele abriu de Thoughtseize tirando o meu Colossus da mão, mas deixando o Warhammer. Ele não conseguiu comprar o Pulse para lidar com o hammer e o jogo foi decidido desta forma.)

Game 2 – Abro com uma mão muito boa. Gasto 3 Deathmarks para lidar com uma Vanquisher, uma Imperious e um token de Garruk respectivamente. Consigo fazer com que uma Imperious permaneça na mesa e acabo ganhando após lotar o meu lado da mesa de criaturas, sem que ele pudesse reagir.

Sexta Rodada – Axel Klipphan (Jund Ramp) - Win 2-0 Total 5-1 (11-2)

Axel seria o primeiro de vários argentinos que eu enfrentaria durante o evento.

Game 1 – Demorei para descobrir do que ele estava jogando. Primeiro pensei que era mirror match, depois imaginei que era um Jund Cascade, mas quando ele resolveu um Rampart Growth, ficou claro que era um Jund Ramp.

Começo fazendo algumas criaturas, jogando ao redor de cartas como Fallout e Jund Charm, enquanto ele demora alguns turnos para achar sua fonte de mana vermelha. Quando ele finalmente consegue encontrar, já possuo um Colossus e alguns Putrid Leechs que me dão a vitória.

Não sabia exatamente como era a lista dele e o que poderia aparecer de diferente. Entrei com o quarto Pulso, pois serviria de remoção para qualquer bichão bizarro que aparecesse, com Puppeteer Clique e com Primal Command para buscar ela ou o Colossus e retardar um pouco seu jogo.

Game 2 – Começo bem agressivo, enquanto ele apenas vai buscando terrenos. Resolvo um Colossus e vou agredindo até ele chegar aos 13 pontos de vida.

Eis que ele vira sete terrenos e desce KARRTHUS, TYRAND OF JUND, roubando o meu Colossus e virando o jogo por completo. Por sorte, no turno seguinte eu possuía mana suficiente para fazer um Pulse matando o dragão e resolver uma Puppeteer para selar o jogo. Grande jogada!

Sétima Rodada – Celso Zampere Junior (BG Elves) - Win 2-1 Total 6-1 (13-3)

Na sexta-feira eu tinha visto de longe o Celso, juntamente com o Willy e o bolovo discutindo algumas opções para o BG Elves, portanto imaginei que ele estaria também de Elfos, sendo então o segundo mirror do dia.

Game 1 – Vamos trocando algumas criaturas, até ele conseguir fazer com que uma Imperious fique na mesa. Desta forma, meus pontos de vida foram abaixando rapidamente e depois de eu conseguir estabilizar o jogo através de uma remoção na Imperious, ambos entramos no “top deck mode”. Ele compra o Profane antes de mim e ganha o jogo.

Game 2 – Não lembro muito bem desta partida, só sei que consegui vir mais agressivo que ele, resolvo alguns Pulses estratégicos, mas em compensação perco 2 Colossus por causa da Snaneform. Um dos Colossus retorna ao jogo através de um Profane e alguns turnos depois, com a mesa ao meu favor, ganho o jogo.

Game 3 – O jogo vai fluindo normalmente até a hora que eu resolvo um Pulse matando 2 Llanowars, fazendo com que ele ficasse bons turnos com apenas dois terrenos na mesa.

Posteriormente, ele começa a comprar terrenos, mas minha mesa já está formada e quando eu consigo encaixar minha segunda Imperous, o jogo é resolvido ao meu favor.

Oitava Rodada – Gonzalo Ferrari Spampinato (BG Elves) - Loss 1-2 Total 6-2 (14-5)

Essa rodada foi totalmente anticlimática.

Game 1 - Sou obrigado a muligar para quatro, dando keep em uma mão com uma filter land e 3 cartas e perco rapidamente sem que ele saiba qual é o meu deck.

Game 2 - Venho normal e consigo ganhar tranqüilo, graças também ao fato dele não ter feito as alterações corretas para este tipo de partida.

Game 3 – Muligo novamente, mas desta vez para cinco e não consigo passar do segundo terreno e poucos turnos depois, o jogo estava decidido.

Nona Rodada – Leonardo Giucci (BG Elves) - Win 2-1 Total 7-2 (16-6)

Esta rodada foi tomada pela tensão, pois precisava ganhar para conquistar uma vaga no segundo dia do evento. Mesmo muito nervoso, permanecia confiante, pois minhas únicas duas derrotas do dia haviam sido para um bad matchup e para um jogo onde não havia a nada ser feito.

Game 1 – Pego o meu quarto mirror do dia e o jogo vai fluindo assim como os outros mirrors. Consigo deixar ele com um ponto de vida, mas ele assume o controle do jogo através de um Colossus que poderia ficar 16/16, vou jogando alguns goleiros na frente, esperando comprar um dos Profane Commands ou Cloudthreshers do deck. Alguns turnos se passam, não compro nenhum dos dois e perco para o Colossus.

Game 2 – Ele resolve dar keep em uma mão de um terreno, enquanto venho com uma mão curvada de Llanowar, Vanquisher, Imperious e Colossus. Poucos minutos depois já estávamos embaralhando rumo ao terceiro e decisivo game.

Game 3 – Abro uma mão bem forte, vamos fazendo algumas trocas (Quando eu digo trocas é tipo Vanquisher por um Terror, Imperious por um Deathmark, Civic por Mutavault, etc), até a hora que eu consigo fazer com que 2 Colossus entrem na mesa.

Ele também consegue fazer um Colossus, mas em um momento crucial do jogo, ataco com os meus 2 e consigo fazer com que um deles cause 8 pontos de dano em um único ataque. Turnos depois venço através de um Profane Command.

Esta será a primeira parte do artigo, contando como foi minha participação no GP São Paulo 2009, no decorrer da semana publicarei a segunda parte, contando como foi o meu segundo dia e considerações finais sobre o evento e sobre o deck.

Queria agradecer a todo mundo que continua prestigiando o blog, com tantos eventos importantes seguidos e com minha vida profissional e pessoal passando por mudanças, está sendo difícil escrever com a mesma freqüência de outras épocas.

Boa semana a todos e até a próxima!