segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Welcome to the Jund

por Ricardo "Thorgrim" Mattana

rimeiramente, gostaria de me desculpar, pois andei um pouco away do blog nesta última semana. Apesar de não escrever, tal semana que se passou foi muito produtiva.

Por se tratar da semana do saco cheio, o pessoal do canal mtg.br se empolgou e rolaram diversos drafts por lá. (Valeu Shooter, Paulo, PV, lucasb, sandoiche, MBC, Lucaparroz, MAGETAs e todo mundo que draftou infinito)

Além dos diversos drafts diários, foi um final de semana muito movimentado no mundo do Magic, já que ocorreram dois GPs do formato do PTQ Kyoto. O GP Paris, que bateu o recorde de participantes e o GP Kansas, que contou com a participação de quatro brasileiros, sendo que dois deles fizeram Top 8. (Parabéns Jaba e Edel)

Confesso que tais eventos me fizeram sentir saudades de Buenos Aires e de tudo que rolou por lá. Resta agora torcer para que ano que vem a Wizards apareça com outro GP na América Latina e eu possa participar novamente de um evento deste tamanho.

Voltando ao assunto principal do post, para quem não se recorda prometi escrever uma série de cinco textos, onde cada um deles iria tratar sobre um fragmento diferente e contar um pouco como cada mecânica influencia o formato.

Após falar sobre Naya na última semana e ter jogado diversos drafts da edição já pude perceber que existem duas correntes no draft que me agradam. Uma delas é focar nessa base GW e dependendo do que me passarem ir para Naya ou para Bant, draftando o maior número possível de criaturas com poder maior ou igual a 5 ou criaturas Exalted.

A outra corrente é focar em uma base BR, apostando nos dois “pingadores” da edição (Blood Cultist e Vithian Stinger), em diversas removals e dependendo de como o draft fluir partir para Grixis ou Jund.

Quando comecei a draftar Shards of Alara, um dos fragmentos que mais me chamaram a atenção foi Esper, pois seus artefatos coloridos pareciam ter uma interação muito mais sólida do que os outros fragmentos. Porém, no meu ponto de vista, Esper me parece um pouco lento e não está preparado para um começo agressivo de fragmentos como Naya ou Bant, portanto tenho evitado o máximo possível draftar este fragmento.

Esta semana o fragmento escolhido para ser discutido será Jund e como a habilidade Devour afeta o formato.

Jund é um fragmento bem interessante de ser jogado. Apesar de não ser tão agressivo quanto Naya ou Bant, Jund pode reservar grandes emoções e saídas bem interessantes como esta que aconteceu recentemente comigo:

Turno 1: Forest
Turno 2: Mountain, Dragon Fodder

Turno 3: Mountain, Thunder-Thrash Elder

Turno 4: Swamp, Drumhunter


Quando vocês forem jogar de Jund, irão perceber que uma das cartas mais importantes para o arquétipo é Dragon Fodder. Independente de qualquer coisa, Dragon Fodder já é uma carta boa e pode lhe render tanto uma saída agressiva, quanto dois importantes blocks no late game.

Mas quando esta carta é utilizada em Jund, ela se torna incrível. Os dois goblins que a carta produz são a isca perfeita para suas criaturas Devour, um alvo bem justo para um Bone Splinters, além de interagirem muito bem com cartas como Hissing Iguanar ou Fleshbag Marauder.

Outra maneira de explorar o poder de Dragon Fodder é montando um deck baseado em tokens, se aproveitando também da habilidade de cartas como Jund Battlemage, Sprouting Thrinax e Necrogenesis.

Para quem não entendeu, a idéia do deck seria entupir a mesa de tokens, atacando sempre em bando, interagindo com duas cartas que podem aumentar o poder de seus atacantes: Scourge Devil e Naya Battlemage.

Quando a edição saiu e eu ainda não havia decorado devidamente seu spoiler, imaginava que existiam diversas criaturas Devour, porém percebi que existem apenas sete, sendo que apenas duas delas não são raras.

Sou fã tanto de Thunder-Thrash Elder quanto do Thorn-Thrash Viashino, mas concordo que para elas serem bem sucedidas em seu deck é preciso que ele possua diversas cópias de Dragon Fodder ou criaturas não tão brilhantes, mas que possuam algum “comes into play” effect como é o caso do Elvish Visionary e do Blister Beetle. Já as criaturas Devour raras são todas extraordinárias e cartas como Caldera Hellion e Predator Dragon estão entre as melhores cartas da edição.
Existem três cartas que combinam muito bem com a habilidade Devour e com a idéia que o deck apresenta, são elas: Algae Gharial, Rockslide Elemental e Scavenger Drake.

Caso queiram montar um bom deck Jund, terão que ter pelo menos uma cópia de alguma delas. Além das remoções naturais que as cores do fragmento apresentam, existem diversas cartas que colocam duas criaturas no cemitério de uma vez só, portanto os três citados acima costumam crescer e causar problemas ao seu oponente rapidinho.

Exemplos de cartas que interagem com eles não faltam, mas três me chamam bastante a atenção, são elas: Bone Splinters, Fleshbag Marauder e Bloodpyre Elemental. Todas são ótimas remoções e encaixam perfeitamente em qualquer deck que utilize uma de suas cores, mas se tornam excelentes quando além de destruir uma criatura do oponente, você pode crescer um de seus gladiadores.

Uma carta rara que poucos dão valor no draft, mas que em Jund pode ser uma ótima opção é o Goblin Assault. Não sei se já deu para perceber, mas devido a todas as cartas já citadas no texto, tem horas que Jund precisa apenas de um pequeno Goblin para ser devorado ou simplesmente suicidado alimentando todo turno uma de suas criaturas.

Outro fator importante de Jund são as mágicas que o fragmento tem acesso. Além de ter acesso a diversas remoções como Branching Bolt, que é uma das melhores comuns da edição, Jund tem acesso a Blightning, que nada mais é do que puro card advantage.

Cada dia que passa eu gosto mais de Blightning, além de ser uma maneira bem efetiva de lidar com alguma bomba na mão do oponente ou atrapalhar um pouco sua curva de mágicas, Blightning não se torna uma carta morta no late game, causando muitas vezes a quantia de dano necessária para finalizar o oponente.

Para ilustrar o fragmento de Jund, segue uma decklist de um dos drafts que joguei recentemente com o povo da mtg.br e que ilustra muita bem essa idéia que o fragmento quer transmitir:

Jund Draft by Ricardo “Thorgrim” Mattana

Creatures (15)
1 Hissing Iguanar
1 Vithian Stinger
1 Blood Cultist
2 Rockslide Elemental
1 Jund Battlemage
1 Thorn-Thrash Viashino
1 Bloodpyre Elemental
1 Carrion Thrash
1 Mycoloth
1 Cavern Thoctar
1 Jungle Weaver
1 Blister Beetle
1 Dregscape Zombie
1 Goblin Deathraiders

Spells (8)
1 Bone Splinters
1 Magma Spray
2 Dragon Fodder
1 Naturalize
1 Blightning
1 Branching Bolt
1 Gift of the Gargantuan

Lands (17)
6 Mountain
5 Forest
4 Swamp
1 Jund Panorama
1 Savage Lands

Espero que vocês tenham gostado de mais um dos textos da série e que eu não tenha deixado escapar muita coisa sobre Jund. Caso alguém tenha conseguido montar um Jund bem sucedido ou perceberam alguma interação entre as cartas do fragmento, não deixem de colocar nos comentários.

Esta semana vou ver se consigo dar uma boa dissecada na cobertura dos GPs que ocorreram e tento contar para vocês mais algumas das minhas impressões sobre o formato no próximo texto da série.

Agradeço pela atenção e pela visita. Tenham uma ótima semana e até a próxima!

5 comentários:

Anônimo disse...

Sandoiche

Eu acho que vc poderia ter se aprofundado mais nos cards com Unearth, que tambem funcionam mto bem com Bone Splinters e Devour, mas de resto o artigo ficou otimo....

E blightning eh bem forte, se usado no deck certo, e sobretudo, NA HORA certa... As vezes blightning de 1 pode ser bem mais devastador do que de 2 no turno 3....

:: Diego Ghiggi disse...

Ótimo resumo sobre Jund.

Agora nada melhor do que ler tudo sobre os GPs, principalmente pra mim que não tenho aula essa semana =D

Que venha o próximo fragmento.

Ricardo Mattana disse...

Aew Sandoiche, blz?

Eu ia falar sobre Unearth, por causa da base BR, mas achei melhor focar o Unearth quando for falar de Grixis, já que é a mecânica do fragmento. hehe

Unknown disse...

Sinceramente, Selado é "overwhelming" demais pra mim - olho pro pool e fico pensando "iji maria, muita carta, e agora, vudeu o.O", e normalmente vou pro lado mais óbvio. Alara é aterrador neste sentido, mas gostei muito de algo que li recentemente que diz que deve-se primeiro observar as opções de mana-fixing antes de verificar onde estão as bombas e as removals. Os fixers vão definir quantas cores vão no seu deck, se é possível usar a bomba de double cost numa cor marginal, etc.

Gostei muito da divisão das "três situações", ajuda a desarmar o clássico jogador choramingão que diz "selado é só torcer pra abrir uma pool boa", hehehe... A sorte é um fator no Magic, mas a considero apenas um obstáculo para ser superado com skill =D

Parabéns pelo post, espero ver a galera que joga bem t2 jogando mais limited, OUVIU, SUSHI?

Anônimo disse...

Gostei do post. Queria saber se vc acha que um deck de jund-tokens-devour será competitivo para casual play. Quais seus pontos fortes e fracos num ambiente desse tipo ?